Das três pessoas ouvidas durante a oitiva da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, duas delas, ex-gestores do Centro de Distribuição de Medicamentos (CDMIC) da Secretaria de Saúde de Cuiabá, assumiram ter incapacidade técnica para gerir o órgão, responsável pelo abastecimento de toda rede municipal de medicamentos.

Com formação acadêmica na área de Turismo, Cleiton Miranda Lima e Altayr Paixão dos Santos afirmaram não seguir ou conhecer os protocolos do Sistema Único de Saúde (SUS) em relação às formas de controle, conferência e distribuição de medicamentos.
“Eu não tenho formação na área. Mas sempre busquei fazer um bom trabalho. Assim como o senhor vereador. Não tem formação na área, mas é um bom vereador”, comparou Altayr ao ser questionado pelo presidente da CPI, vereador Abilio Junior (PSC) sobre a incapacidade técnica na área de saúde.

Durante a administração de Altayr, o CDMIC permaneceu por aproximadamente oito meses sem monitoramento. Posterior a esse período, o Centro foi aparelhado, contudo, foi alvo de um furto ocorrido em outubro de 2017, em que teriam sido levados 107, CPU’s, 104 monitores e 10 televisores. Diante do ocorrido, afirmou Altayr, “foram tomadas as devidas providências”.
Outra depoente da CPI, a atual diretora do CDMIC, Luciana Franco Marcelo Carvalho, confirmou em seu depoimento que, devido à urgência de aquisição de medicamentos e insumos, o órgão descumpre os protocolos e tabelas SUS para ações de cotação, pregão e licitação, controle e monitoramento. Essa prática foi bastante criticada pelo membro da CPI, vereador Dr. Xavier (PTC).
“Não há um histórico. É uma situação complicada, um problema sério. O certo seria ter um farmacêutico em cada unidade de saúde”, apontou Xavier, diante da prática adotada pela gestão municipal de Saúde.


“A gente não sabe o quanto foi consumido em 2016, em 2017 e o quanto a gente gastou por mês, para quem foi entregue. Ou seja, se quiser furtar um medicamento nesses locais, a gente não consegue identificar para onde esse medicamento foi levado, pois não há um sistema de rastreamento”, explicou.
Além disso, salientou o presidente da CPI, a contratação de forma emergencial onera os cofres públicos. “Acaba que prejudica a ampla concorrência, tendo que comprar aqui mesmo no local devido a emergência, o que as empresas sabem dessa necessidade e dão o preço que ela quiser, podendo ser, inclusive, bem acima da tabela SUS”, considerou Abilio.
Assessoria de Imprensa/Ver. Abilio Jr.
Dana Campos.
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