DOUGLAS TRIELLI
DA REDAÇÃO
DA REDAÇÃO
Quatro anos na base aliada do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), e o fato de ser correligionário do agora ocupante de uma das celas do Centro de Custódia de Cuiabá (CCC), renderam as maiores dores de cabeça à campanha de Emanuel Pinheiro (PMDB) à Prefeitura de Cuiabá.
A ligação entre ambos foi amplamente explorada por seu adversário, Wilson Santos (PSDB). Entretanto, Emanuel diz ter feito parte da base, mas de forma independente, criticando quando necessário.
“Eu era da base aliada de Silval Barbosa, mas sempre fui independente e é aí que está a diferença. Do mesmo jeito que se viu Emanuel aplaudindo ações positivas, também se viu combatendo duramente. Confiei no Silval, como milhares de eleitores confiaram. Agora, se ele errou, desviou e cometeu atos de corrupção, que responda por seus atos e pague no rigor da lei”, disse o peemedebista, em entrevista exclusiva aoMidiaNews.
Emanuel também criticou o uso da máquina estadual contra sua campanha, citando o episódio que culminou com a exoneração do presidente do Metamat, Elias Santos, irmão de Wilson. Ele disse ainda ter outras denúncias e pediu que secretários como Rogers Jarbas [Segurança] e Marcelo Duarte [Infraestrutura] coloquem a “barba de molho”.
Emanuel falou ainda sobre o caso das "Esmeraldas Falsas", FAP (Fundo de Assistência Parlamentar), João Arcanjo Ribeiro, e afirmou que, no começo do ano, Wilson dizia que ele deveria ser o próximo prefeito da Capital.
“Pena que todos esses supostos defeitos que Wilson quer colocar em mim tenha sido visto somente agora. Fora isso, vai achar nos anais da Assembleia, inclusive este ano, inúmeros elogios apaixonados à minha pessoa. Inclusive, na opinião dele, da tribuna da Assembleia, eu deveria ser eleito prefeito de Cuiabá”, disse.
Confira os principais trechos da entrevista:
MidiaNews – O senhor diz ser o candidato com mais influência política. Entretanto, esses apoios, quase sempre, são apenas citados em seu programa. O Wilson Santos usa grande parte de seu programa com estrelas da política, como Cristovam Buarque, Aécio Neves, Geraldo Alckmin, Pedro Taques, entre outros. Não acha que essa falta de apoiadores em seu programa pode transparecer, na verdade, isolamento político?
Ednilson Aguiar/MidiaNews

"Eu não preciso me esconder atrás de apoiadores. Emanuel Pinheiro é quem será o prefeito de Cuiabá. Ninguém coloca cabresto em mim"
Emanuel Pinheiro – Ao contrário. Essa é a diferença básica entre os dois candidatos: eu não preciso me esconder atrás de apoiadores. Emanuel Pinheiro é quem será o prefeito de Cuiabá. Ninguém coloca cabresto em mim, vou governar com os melhores nomes, independente de composição política ou partidária. Cuiabá terá um prefeito independente e com autoridade, que não precisa se esconder atrás de apoiadores para não visualizarem suas fraquezas e o seu passado. Eu não preciso disso, sou Emanuel Pinheiro, um livro aberto, cara limpa. A população sabe dos apoios que temos, da força política que temos. Agora, ela precisa saber quem vai ser o prefeito e como pensa o prefeito que vai cuidar da sua vida, da vida da cidade, vai comandar os destinos da Cuiabá dos 300 anos.
MidiaNews – O Wilson o acusa de querer esconder seus apoiadores. Entre eles, o mais citado, nas últimas semanas, é o ex-prefeito Chico Galindo, que é do PTB, um dos maiores doadores de sua campanha. Por que reluta tanto em assumir esse apoio do Galindo?
Emanuel Pinheiro – Todos aqueles que querem a modernidade de Cuiabá, que querem a mudança, o avanço, a modernidade, votam em Emanuel Pinheiro. Eu tive quase 100 mil votos. Então, o Chico Galindo pode votar em Emanuel, como Wellington Fagundes, Neri Geller, como qualquer pessoa, mas ninguém comanda Emanuel Pinheiro, nem a campanha. Eu tenho o coordenador-geral da campanha, que é o ex-senador Osvaldo Sobrinho, que é do PTB, assim como o seu filho, meu vice-prefeito, Niuan Ribeiro. Eles articularam a doação do partido, como Wellington Fagundes articulou a doação do PR, como Geller articulou a doação do PP. Não se trata de esconder, não tenho nenhum problema em dizer quais são os apoiadores que estão diretamente envolvidos com minha campanha.
Agora, nosso adversário é que esconde que é o pai da CAB, e pai do ex-prefeito Chico Galindo na política cuiabana. Ele tem que assumir isso, o que não representa nenhum demérito no primeiro momento, porque é um fato concreto. Ele, sim, tenta esconder esse fato, tentando misturar as coisas. Eu não escondo meus apoiadores, o arco de aliança é claro e público. O meu posicionamento é diferente de Wilson, porque não preciso me esconder atrás de apoiadores, esconder um passado de dois mandatos que decepcionou, frustrou e traiu a população, abandonou Cuiabá. Ele não consegue responder a pergunta que não quer se calar: se não fez em dois mandatos, acha que fará em uma terceira chance?
MidiaNews – Mas qual a participação de Chico Galindo em sua campanha?

O Chico Galindo não está na minha campanha. Ele pode estar pedindo votos dentro do PTB
Emanuel Pinheiro – Acabei de falar, é do PTB...
MidiaNews – A pessoa Chico Galindo está na sua campanha?
Emanuel Pinheiro – O Chico Galindo não está na minha campanha. Ele pode estar pedindo votos dentro do PTB, como teve 100 mil pessoas votando em mim e como terá mais milhares no segundo turno. Recebo de bom grado os pedidos de voto do ex-prefeito Chico Galindo, que é um cidadão que na intimidade da urna vai escolher quem ele acha melhor para Cuiabá. Assim como Wellington Fagundes, Neri Geller, Osvaldo Sobrinho, assim como todos que me apoiam, mas sabendo que ninguém comanda Emanuel Pinheiro. Sou independente e ninguém coloca cabresto em mim.
MidiaNews – Então o Chico Galindo não faz parte do núcleo político da sua campanha?
Emanuel Pinheiro – Dentro do PTB ele deu as colaborações, até pela experiência que tem, mas dentro do núcleo é o Osvaldo Sobrinho.
MidiaNews – Que tipo de colaboração ele deu dentro do PTB?
Emanuel Pinheiro – Não sei, não estou no PTB, me reúno com meus coordenadores de campanha. Talvez essa pergunta fosse melhor a ele, só te asseguro que minha campanha não apresenta mais os apoiadores porque quer focar em quem vai ser o líder de Cuiabá, representando a mudança que a população tanto exige.
MidiaNews – Com relação a outro apoiador, o deputado federal Carlos Bezerra foi citado por Wilson, que questionou o que será da Prefeitura com o parlamentar “rondando o Alencastro”. Qual será a participação de Bezerra em uma eventual vitória sua?

Até o ano 2000, o Wilson era do PMDB e enaltecia Carlos Bezerra. Agora, 16 anos depois, se refere de forma depreciativa. Qual Wilson Santos é o verdadeiro?
Emanuel Pinheiro – Para se ver a deselegância do meu adversário. Até o ano 2000, o Wilson era do PMDB, ficou décadas lá, e encerrou a campanha da época enaltecendo o Bezerra como o maior líder da história de Mato Grosso. Agora, 16 anos depois, se refere de forma depreciativa a Carlos Bezerra, um homem de 75 anos e que tem uma história de serviços prestados a Mato Grosso. Então, qual Wilson Santos é o verdadeiro? Em qual dos Wilson Santos confiar? São vários Wilson Santos em um só. Talvez seja esse um dos motivos pelo altíssimo índice de rejeição dele. O Bezerra, Chico Galindo, Valtenir Pereira, Wellington Fagundes, Neri Geller, são filiados a partidos que estão no meu arco de aliança e que podem contribuir ou não. Mas quero que contribuam com minha gestão, dando ideias, fazendo propostas, respeitando a população e me ajudando, em especial com o Governo Federal, a trazer recurso, convênios, parcerias, emendas, para investir na melhoria da qualidade de vida da população. É isso que espero e vou cobrar deles.
MidiaNews – Então, esses apoiadores terão participação na indicação de nomes de secretariado?
Emanuel Pinheiro – Podem indicar, vou governar com os melhores nomes, independente de partido político. É natural que o arco de aliança apresente nomes, mas vou buscar também nomes entre os servidores efetivos, na sociedade organizada, nas instituições, clubes de serviços, nomes para me ajudar a governar. E das lideranças políticas que me apoiam, com mandato ou sem, repito: Carlos Bezerra, Wellington Fagundes, Neri Geller, Ezequiel Fonseca, Valtenir Pereira, Victório Galli, Osvaldo Sobrinho, Chico Galindo, todos tem excelentes relações políticas em Brasília. O que mais quero deles é que me apoiem em Brasília para trazer recursos para Cuiabá. Vou cobrar, exigir isso. Essa é a maior missão deles, deixa que o resto sei fazer em conjunto com a sociedade.
MidiaNews – O secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, acusou, no início do ano, o deputado Carlos Bezerra de “acampar” na Secretaria de Fazenda com o ex-governador Silval Barbosa (PMDB), nos quatro últimos dias de 2014, sugerindo um “saque aos caixas do Estado”. Não teme uma relação tão próxima com o Bezerra?
Emanuel Pinheiro – Pelo amor de Deus. Isso foi uma colocação irresponsável que não cabe ao nível de um secretário chefe da Casa Civil. Dizer que “me falaram”, dizer que “alguém viu” é tão rasteiro que não merece consideração. E quanto a mim, podem ficar tranquilos, porque tenho autoridade. Sou aberto, gosto e prezo pelo diálogo, sou humilde, sei receber críticas, mas tenho autoridade e jamais trairei a confiança do povo cuiabano. Jamais vou abandonar Cuiabá. Sei da responsabilidade, da seriedade que é dirigir os destinos de 600 mil pessoas que moram na Capital de Mato Grosso. E não abro mão dessa legitimidade, dessa autoridade. Meu governo terá meu perfil, minha marca, minha cara.
Ednilson Aguiar/MidiaNews

"Sei da responsabilidade, da seriedade que é dirigir os destinos de 600 mil pessoas que moram na Capital de Mato Grosso"
MidiaNews – O senhor questionou em qual Wilson confiar pela mudança no discurso com relação ao Carlos Bezerra. Porém, no início da campanha viralizou um vídeo em que o senhor faz elogios a Silval Barbosa. Qual Emanuel Pinheiro os eleitores devem confiar?
Emanuel Pinheiro – Eu era da base aliada de Silval Barbosa, mas sempre fui independente e é aí que está a diferença. Do mesmo jeito que se viu Emanuel aplaudindo ações positivas do governador Silval, também se viu Emanuel combatendo duramente o Silval, por exemplo, na questão da Ager, na cobrança às obras da Copa, entre outros. Votei contra Silval em várias questões que entendia ser contra o interesse público. O meu adversário se incomoda com a minha independência. Poucos políticos chegam aos 28 anos de vida pública com a independência que tenho. Minha independência é inegociável, ninguém coloca cabresto em mim.
Sou o mesmo de sempre, espontâneo, natural, verdadeiro, sincero, que só promete aquilo que pode cumprir, que não faz falsas promessas e só tem compromisso com a população, não tem compromisso com grupos políticos. Sempre fui o mesmo, sendo oposição, sendo base aliada ou agora como candidato a prefeito. Maior prova disso foi minha reeleição, quando saí de 20 mil votos em 2010, para 35 mil votos em 2014.
MidiaNews – Não se sente constrangido em ter que dar explicações sobre o fato de pertencer ao mesmo partido de Silval Barbosa?
Emanuel Pinheiro – Todo político tem que dar explicações e a sociedade merece explicações. E como dizia o governador Pedro Taques, e nisso ele tinha total razão: partidos políticos não cometem crimes, quem cometem crimes são as pessoas. Tem que separar o joio do trigo. Todo partido tem pessoas que podem cometer crimes. Basta ver o partido do meu adversário, em nível estadual ou nacional. Agora, por isso vou dizer que ele é corrupto, bandido, ladrão? Prenderam o Permínio Pinto [ex-secretário de Educação], homem de confiança do governador, vou dizer que o Taques é ladrão? Que meu adversário é ladrão? E a ligação do meu adversário é muito mais intima e próxima com o Permínio do que a minha com o ex-governador Silval Barbosa. Então, vamos ser equilibrados e sensatos. Eu respondo por meus atos de 28 anos de vida pública.
MidiaNews – O governador Pedro Taques disse, por diversas vezes, que a gestão de Silval foi a mais corrupta da história. O senhor pensa desta forma também?
Emanuel Pinheiro – Quem tem que dizer isso é a Justiça. O Ministério Público vem apresentando as denúncias e cabe à Justiça falar. O adversário falando tem seu peso, não pode desconsiderar, mas não é a palavra final. A palavra final é da Justiça e eles vão dizer isso. Se o foi, que ele pague por seus erros. Se errou, que responda por esses crimes.
MidiaNews – Foi um erro ter feito parte da base de Silval?

Eu era da base aliada de Silval Barbosa, mas sempre fui independente e é aí que está a diferença
Emanuel Pinheiro – Eu fiz parte da base, porque fui eleito nessa base. E, como milhares de mato-grossenses que o elegeram no primeiro turno, também confiei e o elegi no primeiro turno. Busquei ser o Emanuel de sempre, comprometido com a população. E quero ressaltar que 50% ou mais da base do governador Pedro Taques era da base do Silval, alguns foram secretários do Silval, como Zé Domingos. Então não se pode medir a independência parlamentar dessa forma. Fui da base aliada sem perder minha independência. Confiei no Silval, como milhares de eleitores confiaram. Agora, se ele errou, desviou e cometeu atos de corrupção, que responda por seus atos e pague no rigor da lei. Eu não tenho nada a ver com isso. Tanto é que não respondo a nenhum ato junto com ele.
MidiaNews – Não acha que confiou demais no Governo do Silval, sendo que no meio do mandato dele já existiam denúncias de irregularidades, as obras da Copa todas atrasadas e com diversas falhas?
Emanuel Pinheiro – Eu confiei demais na sociedade, que queria as obras, assim como eu também queria. Denúncias são denúncias, não quer dizer que são fatos. Existia toda uma estrutura de controle interno e externo dentro da Secopa, por exemplo. Todos agiram da mesma forma, querendo as obras, depois é que eclodiram os casos de corrupção, e aí não tenho bola de cristal. Não tem propósito tentar envolver uma conduta comprometedora, porque só vai saber mesmo depois que explode. Em especial eu que não estou envolvido em nenhuma dessas irregularidades. Quem participava da Comissão de Acompanhamento das Obras da Copa no Senado era o então senador Pedro Taques e os recursos das obras eram todos federais.
MidiaNews – Ele diz que denunciou.
Ednilson Aguiar/MidiaNews

"A ligação do meu adversário é muito mais intima e próxima com o Permínio do que a minha com o ex-governador Silval Barbosa"
Emanuel Pinheiro – Cadê a denúncia? Alguém viu a denúncia por escrito? Falar todo mundo fala, como eu falei muita coisa, cobrei agilidade das obras. O maior escândalo da história do Brasil, o Petrolão...ele era senador da República, mas por isso vou dizer que está envolvido ou é comprometido porque não denunciou? Como ele ia saber? Então, está havendo uma intenção em responsabilizar um homem público que não tem nenhuma responsabilidade sobre supostos desvios ou malversação de recursos nas obras da Copa. Quem, porventura, tenha errado, roubado, que pague no rigor da lei.
MidiaNews – O seu índice de rejeição cresceu nas últimas pesquisas de intenção de voto. Acredita que isso se deve ao fato do adversário insistir em colar sua imagem ao Silval?
Emanuel Pinheiro – Índice de rejeição em segundo turno, para mim, é uma novidade. Porque são dois candidatos, quem vota em você, vai rejeitar o outro. Mas eu tenho uma ótima aceitação perante a população, nossas pesquisas internas mostram números diferentes. Mas respeitamos os institutos, estamos na liderança em todos. O carinho que sou recebido pela população, nas ruas, é um combustível para a campanha. Por isso que todos os dias, de manhã e à tarde, fazemos caminhadas e somos recebidos com festa, muito carinho pela população, fato que meu adversário não pode fazer com a mesma constância, graças ao seu elevado índice de rejeição.
O que acho engraçado é esse perfil do Wilson, que é uma figura carimbada. Ele precisa levar a população a sério, precisa levar Cuiabá a sério. Já abandonou Cuiabá, teve duas oportunidades, não fez e acha que a população deve lhe desculpar e dar uma terceira oportunidade. Vamos lá: Eder Moraes é do PHS, partido que está na coligação dele. E agora ele quer jogar para mim? José Riva é do PSD, partido do vice-governador do Estado [Carlos Fávaro], que apoia Wilson Santos, e quer jogar o Riva para mim? Quem me apoia é Janaina Riva, do meu partido, filha do ex-deputado Riva. Chico Galindo é do PTB, que me apoia, mas foi vice-prefeito dele. Wilson foi quem apresentou o Galindo e a CAB para Cuiabá. Ele não assume. Mas a população o conhece e não acredita nesses factoides.
MidiaNews – Ele diz que já mostrou os defeitos dele no início da campanha.

O maior escândalo da história do Brasil, o Petrolão...ele [Taques] era senador da República, mas por isso vou dizer que está envolvido ou é comprometido porque não denunciou?
Emanuel Pinheiro – Ele passa a campanha inteirinha justificando os erros dele, mas deixo para a população o julgamento final.
MidiaNews – Esta semana, sua coligação fez uma denúncia de que o irmão de Wilson, Elias Santos, supostamente aparece coagindo os servidores comissionados a ir a uma reunião. Apesar da exoneração de Elias do Metamat, o governador Pedro Taques e o próprio Wilson chegaram a questionar a autenticidade do áudio e pedir uma investigação. Como viu esse episódio e o possível uso da máquina?
Emanuel Pinheiro – Recebíamos centenas de denúncias de servidores que se sentiam coagidos e ameaçados, só faltavam as provas. E tem outros secretários, outros áudios, mas com gravações não tão nítidas. Esse uso e abuso da máquina é uma prática que já tínhamos denunciado. Eu não tenho nenhuma satisfação em denunciar isso, vejo isso como uma decepção, porque a baixaria, jogo baixo e ataques pessoais não fazem parte do meu perfil. Eu não sei jogar nesse campo. Sou especialista e me sinto à vontade para jogar limpo, faço campanha de nível elevado, baseado em propostas, ideias e projetos para Cuiabá.
Eu tinha várias denúncias, mas precisávamos de provas. Igual às obras da Copa, denúncia é denúncia. Tínhamos muita denúncia de servidor, sabíamos que estava acontecendo, mas faltavam provas concretas. Eu me solidarizo com os servidores do Estado, efetivos e comissionados, que são vítimas dessa coação, ameaça. Que permaneçam firmes e quando chegar à intimidade da urna, ninguém estará lá para te coagir.
MidiaNews – Mesmo depois da denúncia de coação, o Wilson e o governador mantiveram a reunião com os DGAs. Como o senhor viu isso?
Emanuel Pinheiro – É um direito deles, estava fora do horário de expediente. Espero que os servidores que lá estavam não tenham sido coagidos, ameaçados por seus superiores. Cada cabeça é uma sentença. E acredito que esse episódio vai colocar muito secretário com as barbas de molho.
MidiaNews – Elias cita no áudio que a ordem partia do governador Pedro Taques. Acredita que ele tenha participação nisso?
Emanuel Pinheiro – Quero que o governador me respeite em suas declarações como vou respeitá-lo agora: apesar da fala contundente do Elias, ao dizer que estava a mando do governador, dou a presunção de inocência ao governador nesse episódio. E quero que ele me respeite da mesma forma, pare de soltar leviandades, tentando me envolver em denúncias de malfeitos em governos passados.

Recebíamos centenas de denúncias de servidores que se sentiam coagidos e ameaçados, só faltavam às provas. E tem outros secretários, outros áudios, mas com gravações não tão nítidas
MidiaNews – Acredita que outros secretários chegaram a usar das mesmas táticas atribuídas a Elias?
Emanuel Pinheiro – Claro que sim. O secretário de Segurança [Rogers Jarbas] tem que colocar as barbas de molho, o secretário de Infraestrutura [Marcelo Duarte] tem que colocar as barbas de molho, e vários outros secretários também. Temos dezenas de gravações envolvendo autoridades políticas.
MidiaNews – E por que não trouxe essas denúncias à tona ainda?
Emanuel Pinheiro – Porque muitas gravações não estão boas. Mas são pessoas de credibilidade, de bem, que se sentiram ameaçadas e expuseram a situação para nós. Se tivéssemos uma prova tão contundente quanto essa do Elias, também já teríamos apresentado. Mas, acima de tudo, temos ética e não praticamos o sensacionalismo, não atacamos a reputação dos outros irresponsavelmente. Só o fazemos quando temos provas contundentes e verdadeiras, jamais vamos à mídia atacar a honra ou a reputação de quem quer que seja, de forma leviana e irresponsável.
MidiaNews – Um assunto muito usado por seu adversário na campanha é a dívida que teria sido paga com esmeraldas falsas. Este caso já foi resolvido? Ficou uma mancha em sua biografia?
Emanuel Pinheiro – Resolvido. Para desespero de meus adversários, o próprio empresário, que venderam como meu algoz, veio a público desmentir. É uma situação da vida privada, jamais mancharia minha vida pública. Isso foi há 20 anos, que provei na Justiça que não fui eu que entreguei esmeralda. Uma dívida particular, que foi resolvida no âmbito privado. Tenho 28 anos de vida pública, poderia ter aproveitado isso para resolver situações da vida privada, mas não, e isso se chama ética, seriedade, responsabilidade, respeito ao erário público. Mas é tão raro ver ética na política, que algumas pessoas tendem a misturar e colocar todos na vala comum. Tentaram me atacar. Não tendo como me atacar na vida pública, partiram para vida privada. Se deram mal.
MidiaNews – O senhor disse, agora, que provou na Justiça que não entregou as esmeraldas. Quem entregou?
Ednilson Aguiar/MidiaNews

"O secretário de Segurança [Rogers Jarbas] tem que colocar as barbas de molho, o secretário de Infraestrutura [Marcelo Duarte] tem que colocar as barbas de molho, e vários outros secretários também"
Emanuel Pinheiro – Sei lá, tem que perguntar para ele. Eu não fui. Entrei com uma ação por danos morais e exibição de documentos para provar que fui eu que entreguei. Não provou. Sou ficha limpa. Essa dívida está sendo quitada dentro do meu patrimônio. Isso foi resolvido há seis meses.
MidiaNews – Outro episódio levantado por Wilson foi um suposto cheque com o ex-bicheiro João Arcanjo.
Emanuel Pinheiro – Outro desespero do meu adversário. Não tenho episódio nenhum com João Arcanjo. Aliás, quem tem intimidade com Arcanjo é meu adversário, que fez um discurso dos mais apaixonados do mundo para ele, votando nele como comendador, na homenagem que a Assembleia fez. O Wilson o elegeu como americano modelo. Este é o homem que tem profundas ligações com João Arcanjo. Eu fiz um empréstimo em uma empresa de fomento, em uma factoring, que não era clandestina, era pública, credenciada pelo Banco Central, no governo do PSDB, de Fernando Henrique Cardoso. E um empréstimo que eu paguei com meus recursos. Então, uma deslavada mentira, má-fé, molecagem do meu adversário, que no desespero tenta achar coisas para me atacar, mas não consegue.
MidiaNews – O Fundo de Assistência Parlamentar (FAP) também foi usado pelo adversário. Ele disse, ainda, que o senhor parte para a segunda aposentadoria na Assembleia Legislativa. O que tem de verdade nisso?
Emanuel Pinheiro – Mais uma mentira de quem tem intimidade com a inverdade. O FAP, já deixei claro, é uma previdência parlamentar, como é o IPC [Instituto de Previdência dos Congressistas]. Eu paguei por ela, estou sendo criticado por meus adversários porque exerci um direito legal, que já existia há décadas antes de assumir mandato. São mais de 100 pessoas que fazem jus a esse direito. São todos imorais? Roberto França é imoral? Dante de Oliveira, que leva o nome da coligação de Wilson Santos, é imoral? Somos políticos sérios que respeitamos a lei vigente à época. Somos honestos, não respondemos por Rodoanel, não respondemos por Operação Pacenas, por improbidade administrativa. Todos homens de bem.
MidiaNews – E com relação a essa segunda aposentadoria?
Emanuel Pinheiro – Não tem aposentadoria nenhuma, sou servidor público da Assembleia. Todos os processos de efetivação estão sendo revistos pelo Ministério Público e por um PAD, e o nosso não foi denunciado. Tenho todos os documentos. Não recebemos porque estamos em atividade política. Sou deputado e não posso receber, mas sou servidor da Assembleia devidamente efetivado, segundo a Constituição da República à época. Se eu não for mais deputado e não for prefeito de Cuiabá, vou reassumir meu cargo de técnico legislativo de nível superior na Assembleia. Não recebo se não estou lá, tenho mandato parlamentar. E se for eleito prefeito, também não recebo. Isso de segunda aposentadoria é uma mentira deslavada. Mas a população conhece Emanuel Pinheiro e conhece a figurinha carimbada que é Wilson Santos.

Temos ética e não praticamos o sensacionalismo, não atacamos a reputação dos outros irresponsavelmente. Só o fazemos quando temos provas contundentes e verdadeiras
MidiaNews – Apesar disso, o senhor recebe um dinheiro do FAP, que pode não ser uma aposentadoria, mas já garante estabilidade financeira. Não se sente constrangido com isso, sendo que a maioria da população só se aposenta após os 60 anos e, muitas vezes, com valores inferiores a R$ 3 mil?
Emanuel Pinheiro – Eu paguei por isso. Contribuí por isso. É como uma previdência privada que qualquer um pode ter se for a bancos e pagar durante 10 anos. Eu paguei por isso. E muitos vivem disso hoje, inclusive a prefeita eleita de Chapada dos Guimarães, Thelma de Oliveira, que chegou a criticar o Wilson, porque sabe o ordenamento jurídico que existia. Pena que todos esses supostos defeitos que nosso adversário quer colocar em mim tenham sido vistos somente agora, depois que comecei a liderar as pesquisas de intenção de voto. Fora isso, vai achar nos anais da Assembleia, inclusive este ano, inúmeros elogios apaixonados do meu adversário à minha pessoa, pela minha atuação política, pelo meu mandato parlamentar, e pelo que represento por Cuiabá. Inclusive, na opinião dele, da tribuna da Assembleia, eu deveria ser eleito prefeito de Cuiabá.
MidiaNews – Então, o FAP não é um constrangimento?
Emanuel Pinheiro – O FAP não é um constrangimento para mim, porque paguei por ele, contribuí. É uma previdência parlamentar, como é o IPC em Brasília. Não existe aposentadoria, não existe pensão. Estou sendo criticado porque exerci um direito, não estou sendo criticado por corrupção, desvio de dinheiro, improbidade ou por ter lesado os cofres públicos.
MidiaNews – O que principalmente o diferencia de Wilson Santos?
Emanuel Pinheiro – As propostas, represento o novo, a modernidade, os novos tempos, que precisam sepultar esse passado de decepções, de traição à expectativa popular e de abandono da Prefeitura para satisfazer um projeto próprio. A ética, a postura, a conduta, são diferenças básicas entre mim e meu adversário. Desejo de coração que a população cuiabana faça essa comparação. Não disputo a Prefeitura contra Pedro Taques, disputo contra Wilson Santos e quero ser comparado com Wilson, inclusive meu passado.

O FAP não é um constrangimento para mim, porque paguei por ele, contribuí
MidiaNews – Caso eleito, o senhor vai assumir a Prefeitura de Cuiabá em um momento ainda de crise econômica. Se considera preparado para essa tarefa?
Emanuel Pinheiro – Sou experiente, estou preparado, sei como fazer, tenho humildade para ouvir pessoas e me relacionar com segmentos organizados da sociedade. E, acima de tudo, estou com muita energia para liderar este momento de mudanças, inovações e modernidade na Prefeitura de Cuiabá.
MidiaNews – O senhor esteve reunido nas últimas semanas com o prefeito Mauro Mendes para conhecer o orçamento do próximo ano. Como espera encontrar a Prefeitura?
Emanuel Pinheiro – Primeiramente, quero ressaltar o pulso firme de um gestor comprometido, que é o Mauro Mendes. Ele organizou a Prefeitura, respeitou a Lei de Responsabilidade Fiscal e garantiu o equilíbrio das contas. Hoje, a Prefeitura está organizada. Não vai ser um mar de rosas como nada no Brasil, mas a Prefeitura está com uma boa política fiscal, tem garantido seu equilíbrio, não há comprometimento da folha, há respeito ao limite prudencial. Está em condições de avançar ao longo dos quatro anos e isso se deve ao trabalho de gestão, de controle rigoroso das despesas, do aquecimento da receita, para poder equilibrar as contas públicas na Capital.
MidiaNews – Mas há uma queda na receita não só do Município, como do Estado, por conta da crise. O prefeito Mauro Mendes chegou a falar na possibilidade de atraso salarial a partir de 2017.
Ednilson Aguiar/Midia News

"Quem tem intimidade com Arcanjo é meu adversário, que fez um discurso dos mais apaixonados do mundo para ele, votando nele como comendador"
Emanuel Pinheiro – Na gestão Emanuel Pinheiro não se fala em atraso de salário e não-pagamento de RGA [Revisão Geral Anual], que são direitos consagrados dos servidores públicos. Agora, evidente, que toda crise afeta o Município. O que digo é que a cidade, hoje, está organizada, há um equilíbrio entre receita e despesa. Isso por si só, já garante uma segurança para o próximo gestor. Mas vamos buscar os mecanismos para viver durante a crise e superá-la nesse período de vacas magras. Temos que ver como o Município, em comum acordo com os setores da sociedade organizada, pode fazer sua parte, seja em parceria com FCDL [Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso] e Fecomércio, com empresários do Distrito Industrial, revendo a Legislação no tocante à redução do ISS [Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza], como forma de potencializar uma maior saúde financeira para o comércio e empresas, seja no pagamento do IPTU. Uma série de ações que mostram um prefeito sensível e de diálogo.
MidiaNews – Não acha que é muito arriscado garantir que não vai atrasar salário e pagar toda a RGA se o próprio prefeito já apontou essa possibilidade de atraso?
Emanuel Pinheiro – O prefeito é um grande gestor, mas não é um grande vidente, um futurólogo. Ele chama atenção para este momento delicado da economia nacional, com impacto no Município. Ele tem autoridade e conhecimento para isso. Entretanto, vai entrar uma nova gestão. E, sendo eleito prefeito de Cuiabá, vamos fazer estudos para reduzir cargos comissionados, vamos atacar desperdícios sem dó e com muito critério. Vamos controlar gastos como conta de água, energia, telefone e outros consumos na Prefeitura. Vamos, ainda, propor a redução dos contratos aos prestadores de serviço, cuidar das licitações e concorrências a zelar pelo bom preço. Tudo isso visando manter nossa capacidade de investimento e o bom custeio da máquina, priorizando o salário do servidor e sua conquista como RGA.
MidiaNews – O prefeito Mauro Mendes foi um dos primeiros a falar em reforma administrativa antes desse momento de crise. Foram duas entre 2014 e 2015. E agora, o senhor fala em desperdícios. Acredita, então, que o Mauro Mendes não fez o suficiente?

Não é aumentando a carga tributária, não é sacrificando ainda mais o orçamento da família cuiabana, que vai resolver o problema do Município
Emanuel Pinheiro – Sempre é possível fazer mais. O Mauro fez o que pôde, tanto que está com uma gestão bem avaliada. Tenho até uma ponta de orgulho em tudo isso, porque ajudei a construir quando fui coordenador da campanha vitoriosa em 2012. Mas sempre há mais a ser feito. Sempre é possível otimizar mais, economizar mais, conter gastos públicos desnecessários, atacar despesas, controlar a máquina. Respeitando, especialmente, o direito dos servidores, não mexendo em salário.
MidiaNews – Com relação ao IPTU, Mauro Mendes tentou aumentar em 2015, mas a Câmara não permitiu. Está em seu radar, caso eleito, o aumento desse imposto em 2017?
Emanuel Pinheiro – Não está, porque não é aumentando a carga tributária, não é sacrificando ainda mais o orçamento da família cuiabana, que vai resolver o problema do Município. Eu prefiro atacar a inadimplência. Hoje, a adimplência gira em torno de 70%, então, temos 30% de inadimplência. Garantindo a queda desse não-pagamento, vamos aumentar nossa arrecadação, sem penalizar o contribuinte cuiabano. Nossa meta é uma caça à inadimplência para que entre mais recursos, mas sem afetar o recurso da família cuiabana. Essa será não só uma meta para 2017, mas uma meta de gestão.
MidiaNews – Transporte público foi um tema bastante citado nestas eleições. O candidato Julier Sebastião falava em reduzir a tarifa do ônibus para R$ 2,60. Seu atual adversário, Wilson Santos, fala em congelamento por um ano. Qual seu posicionamento em relação a esse assunto?
Emanuel Pinheiro – Quero assegurar a estabilidade no sistema. Tenho compromisso com os usuários, não tenho compromisso com empresários. O primeiro passo será fazer uma licitação pública, democrática e transparente do sistema de transporte público de Cuiabá. A última licitação que teve foi no Governo Roberto França, no início dos anos 2000. De lá para cá foi só prorrogação. Você não avança no sistema desta forma, a Prefeitura não pode ficar refém do empresariado. Vou propor a licitação, exigindo ônibus novos, com ar-condicionado, 30% da frota adaptada as pessoas com deficiência, reforma de todos os abrigos de ônibus, para se dar o mínimo de conforto aos usuários, a integração ao sistema de transporte alternativo, para assegurar mais opções. Vamos propor uma revitalização do sistema, sem a obrigatoriedade do aumento da tarifa em virtude da licitação. Aí sim, depois desse investimento, pode-se pensar em começar a discutir tarifa. A nossa ideia é não ter aumento de tarifa em 2017.
MidiaNews – Nem redução.
Ednilson Aguiar/MidiaNews

"Nosso adversário precisa explicar melhor sua relação com o empresariado de ônibus da Capital. Essa relação nada recomendável, aparentemente comprometedora, como diz a Justiça"
Emanuel Pinheiro – Nem redução. A redução não é possível, porque não podemos promover um colapso no sistema. Tenho responsabilidade com milhares de usuários e falar em redução agora, sem um argumento técnico convincente, seria uma irresponsabilidade de qualquer gestor. O que temos que falar é que, partindo da tarifa que está sendo cobrada, vamos investir na melhoria da prestação de serviços, na eficiência da prestação de serviços para a população. Aí, sim, poderemos equilibrar o valor da tarifa que está sendo paga com um sistema de qualidade. Esse é o maior desafio, porque, hoje, a população paga muito caro para uma péssima prestação de serviço. Temos que melhorar, evoluir, qualificar essa prestação de serviço.
E, associado a isso, a verdadeira revolução no transporte público: o VLT [Veículo Leve sobre Trilhos]. Vamos convocar a Câmara Municipal, a sociedade organizada, as instituições, a população em geral, para fazer uma pressão legitima para retomar as obras do VLT. Mais de R$ 1 bilhão foi investido nesse projeto. Claro, o Poder Público não pode colocar mais um centavo nessas obras, mas o Estado tem o dever de retomar e concluir.
MidiaNews – Ainda nessa questão do transporte, o Wilson é réu em uma ação do Ministério Público por favorecer empresas concessionárias do transporte público, não realizando a licitação. Ele diz que não fez a licitação por conta de quatro decisões judiciais impetradas por essas empresas. Mas, na decisão que aceitou a acusação, a juíza Célia Vidotti, da Vara da Ação Civil Pública da Capital, afirmou que não havia decisão judicial a ser cumprida. O senhor chegou a ser secretário de Wilson à época. O que acha de tudo isso?
Emanuel Pinheiro – Não conheço os processos, mas a juíza Célia Vidotti é respeitadíssima, de alto conhecimento jurídico, uma pessoa qualificada. As decisões dela são isentas, imparciais, de grande qualidade técnica e juridicamente impecáveis. Acho que não é desmerecendo a decisão de uma juíza que você vai explicar seus problemas. Nosso adversário precisa explicar melhor para a sociedade sua relação com o empresariado de ônibus da Capital. Essa relação nada recomendável, aparentemente comprometedora, como diz a Justiça. Eu posso responder por mim: não tenho nenhum compromisso com empresários de ônibus da Capital, meu compromisso é com a população. No ano em que estive como secretário dele, a licitação estava em plena vigência, venceu depois.
MidiaNews – O senhor foi muito criticado por ter proposto a municipalização do VLT. Desistiu da ideia?
Emanuel Pinheiro – Eu não propus a municipalização, basta pegar minhas entrevistas que não verá em nenhum lugar a municipalização. Propus a solução do sistema para a população. Cuiabá não tem dinheiro para concluir o VLT, mas não podemos aceitar a paralisação dessas obras. São duas cicatrizes profundas nas principais vias da cidade, representando um descaso, desrespeito com a população e, principalmente, perdendo a oportunidade de melhorar a vida das pessoas. A paralisação dessas obras é um tapa na cara da população, um desrespeito. Isso precisa ser resolvido. Se houve roubos, desvios, corrupção, que se apure no rigor da lei e puna os responsáveis, mas não podemos lesar a população. Quero uma solução ao sistema. Vamos liderar a pressão ao Governo para retomar essas obras e colocar a Prefeitura à disposição para ajudar.
MidiaNews – No primeiro turno da campanha sua posição era de que a Prefeitura assumisse o trajeto de Cuiabá e repassasse à iniciativa privada. Isso, então, mudou?
Emanuel Pinheiro – Não é uma questão de mudança. O Governo do Estado teria que passar ao Município essa gestão, para, então, nós fazermos uma PPP [Parceria Público-Privada]. O que acho de diferente de lá para cá é que não compensa esse conflito com o Estado. Eu não mudei nada com relação à PPP. O dinheiro para fazer o trajeto de Várzea Grande está na Caixa há dois anos. Já a parte de Cuiabá, defendo a PPP. Mas não quero conflito com o Governo, porque por Cuiabá eu faço tudo. Fico, em um primeiro momento, sendo eleito, na pressão legitima.